Tentativas frustradas

Parei pra pensar no tempo que leva pra gente sair do puerpério. Me perguntei se, em vez de apenas uma fase difícil e dolorosa de adaptação entre mãe e filho pós parto, se ela poderia durar por meses e até mais de um ano. Fui na terapia conversar sobre essa dificuldade de lidar com essa fase de um novo eu. Me sinto culpada diariamente por sentir vontade sair correndo. Por ter algum compromisso e desejar que ele dure mais tempo, ou demorar pra chegar em casa, só pra fugir um pouco mais da realidade. Ao mesmo tempo que saio de casa já querendo voltar pra abraçar meu filho. Saio de casa pensando nele, sendo ele a única coisa que ocupa minha cabeça durante todo o dia. No momento eu vivo uma fase de luto pelo que eu era antes de me tornar mãe. Lamento sempre por aquela Theresa que podia acordar a hora que tivesse vontade, assistir uma temporada inteira de série no netflix, fazer os personagens de desenho em feltro, deitar no chão da sala com meus gatos, sair a qualquer hora, voltar a qualquer hora, comer a qualquer hora, tomar banho a qualquer hora, e o que eu mais sinto falta: dormir a noite inteira. Sofro profundamente com a impossibilidade de apenas deitar na cama pra dormir e acordar só no dia seguinte. O meu sono tem sido fracionado, visto que meu filho tem dormido entre 1 e 1:30 da manhã, acordando a cada 2 horas e exigindo ser embalado pra dormir de novo no colo e em pé. Não reclamo porque eu consigo amar até mesmo esses momentinhos da madrugada em que ele quer o meu colo e o meu carinho pra poder voltar a dormir. Eu percebo a satisfação dele em ser acalentado e de dormir agarradinho comigo. Mas mesmo sendo lindo e reconfortante é extremamente exaustivo. Cansa, dói na alma. A gente chora desejando que essa fase passe logo. Chora desejando que essa fase de bebê nunca termine. Vivemos num dilema. Ser mãe é realmente padecer no paraíso.

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2 comentários sobre “Tentativas frustradas

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